domingo, 14 de julho de 2024

Mars to Liverpool

Atenção senhores passageiros este é um conto com trilha sonora. 

- Então, está indo pra onde?
- De volta pra casa. Uma longa jornada acadêmica na Metrópole. 

- A coffee , please? 

- Esse sotaque é escocês...
- Parece mais de Liverpool 
- Falando nisso, como estava em Marte? 
- As barras de chocolate são diferentes por lá. 

- Cheers

O suposto escocês brindava a mesa ao lado, com ar de quem sabia que era assunto. Liverpool é uma palavra facilmente identificável. 

Brindes recebidos. Brindes retribuídos. Cafés em todas as mesas. 

Atenção senhores passageiros, está é a última chamada para o vôo com destino para Liverpool. 

O amigo suposto escocês e bom observador se levanta como quem deve embarcar logo e some de cena. 

- A propósito como você sabe tanto sobre Escócia e Liverpool?
-Eu viajaria verão passado para a Escócia, mas ficou muito cara a hospedagem. Liverpool sai muito mais barato. Então resolvi repetir o roteiro e ir nos lugares que não fui na vez passada. E você esteve onde?

- Em Marte, na fábrica de chocolates. Sabores curiosos vêm por aí. Você encontrará em Liverpool também. 


segunda-feira, 17 de junho de 2024

Een wonder

- Goede middag!

- Goede middag!
Geluid van fietsen passeren.

- Laten we koffie pakken?
- Kom op!

- Een cappuccino en een dubbele

Geur van koffie in de omgeving.

- Hoe is je koffie?

- Een wonder. En de jouwe?

- Lekker, erg lekker


sexta-feira, 31 de maio de 2024

Ladyhawke - o casamento no fim do Universo

 - Aquilo são besouros voando?

- Aquilo oque?

- Ali, e aqui também.

- Se você consegue ver as cores se movimentando como as notas musicais, certamente que são besouros voando.

- Você não está vendo? E como você sabe disso?

- Porque está no cardápio de hoje. Você que não leu.

- Ah sim.

- Ah sim, digo eu pra você. E não se esqueça terráqueo, que todos estamos aqui para o casamento. Pitorescamente você também está entre os convidados. 

- Vá se enxergar.

- Dito isso pelo cara que não consegue decifrar a diferença entre besouros voando e o que acontece atrás de si.

Virando bruscamente ele diz:

- Acontece o que? O que é isso?

- Já vi que sou sua enciclopédia nesse happy hour.

- E não reclame, quantos presentinhos eu já lhe trouxe.

- Está bem.

- Está bem, digo eu. Afinal você vai me explicar esse som de galope empolgante em harmonia com s besouros?

- São apenas os cavalos selvagens que trouxeram os noivos. Algo um tanto quanto incomum, faz sentido você estar perdido. Eles também estiveram por um longo tempo.

- Quem os cavalos?

- Não.

- Os besouros?

- Muito menos, os noivos.

- Porque? 

- Eles se entranharam numa confusão ao por e ao nascer do sol em seu planeta. E apenas nesse salão que eles conseguirão dizer sim.

    Na mesa ao lado, pessoas muito mais animadas ouvem o sim dito a frase acima.  E se animam ainda mais. Levantam suas taças. Os besouros passam próximo curtindo aquela alegria.

- Agora você entende porque os brindes não param?

- Mais ou menos.

- Existe alguma energia nesse restaurante que neutraliza o lobo e a águia.

- Como assim????

- Ah vá que você não assistiu ao filme?

- Qual filme?

- Preciso dizer? 

    O outro fica encabulado.

- Porque se eu citar o título esse conto não poderá ser lançado.

- Que pena.

- Quando você voltar , você assiste.

- Mas enfim, o que há nesse restaurante de tão especial?

- É uma conjunção de fatores. Depois que um senhor muito mal foi atacado por uma ovelha dentro de uma igreja as coisas melhoraram para o casal. E os convidados passaram a chegar para a grande festa. Afinal, aqui é o restaurante no fim do Universo. Que nunca acaba. E essa energia caótica e controlada neutraliza o feitiço do lobo a noite e da águia ao amanhecer. E quando eles retornarem da lua de mel poderão passear juntos como se nada tivesse acontecido.


    Os besouros voam mais altos, os cavalos descansam. As cores se movem como notas musicais e tudo faz sentido. 

terça-feira, 28 de maio de 2024

Uma pergunta interessante

Uma pausa para uma pergunta muito importante nesta fase do ano:

- Você já considerou abandonar os esportes? 

- Como assim?

- Como assim "como assim"? 

-  Ninguém sai vencedor, todos se machucam e ninguém é valorizado. Porque se envolver com isto? 

- Huum

Naquela noite, os pensamentos e os sentimentos foram longe demais. Implorando por uma saída, uma luz e uma resposta que valesse a pena. 

Dentro de si sabia a verdade, não poderia rejeita-la mais. A própria questão e a liberdade que o interlocutor se deu escancara algo que há muito está ali, presente, quase com perfume , e com certeza, próprias caretas e caricaturas. 

O interlocutor seguia olhando seu amigo, ou amiga (essa história não tem gênero, apenas sentimento). Um sentimento terrível, pior que xarope e ressaca de cervejas. O olhar permanente. 

O olhar permanente dizendo sem palavras que "estou aqui e o levarei comigo". Apenas o eco da pergunta.

- Por por que que você porque você não não não abandona abandona abandona os esportes os esportes...

E tristemente um filme se iniciou em sua mente. Que notadamente parecia estar conectado a mente de seu interlocutor também. 

Alguém voava pelos ares e não reconhecia resistência. Balançava pra lá e pra cá. E desaparecia em fumaça. 

- Um dia você se esquecerá disso.

Um domingo de manhã dourado, um outro tipo de vôo transportando a quadra para a glória. E, novamente fumaça. 

- E disso também. 

-Estranho, mas eu acho que alguém acenou pra mim...

- Sim, era eu mesmo marcando o momento. Naquele dia não fui reconhecido e você estava inebriado por aquele movimento, aquela felicidade. Talvez eu não estivesse aqui. 

-  Como assim? 

- Os viciados nunca reconhecem o objeto de seu vício. Triste. Mas logo você sentirá um vazio inédito. Ou não? E não me pergunte como assim. Você deve se despedir agora. 

Alguém de pele e roupas cor de chumbo com mangas longas e mancando ergue algo na sua direção. Não há tristeza na troca de olhares, apenas um parece dizer: 

- Eu não fiz isso por você. Você nem conhecerá esta taça. 

E o outro, consternado, puído e quase destruído, porém liberto: 

- Eu sei. 

E ela(ela) reconheceu o vazia antes anunciado. 

- Calma, você vai se dar bem nas artes. Lá os adversários devem jogar juntos. 
 
Enquanto via o ser de chumbo seguir o mesmo destino de fumaça que os outros momentos. 

- E dele, vc jamais se lembrará. 

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Brilhe no seu próprio diamante

                Brilhe no seu próprio diamante

Quando algo vale a pena eu já sei o que devo fazer. Porque quando algo vale  a pena eu estou me transformando. Me transformando em algo melhor, porque coisas boas nos levam a coisas boas. E é preciso se envolver.
                É preciso se envolver, e sorrir. E sorrir faz toda diferença, a mudança começa em mim e vai tocar aquilo que me cerca. E um dia de céu azul como o dia de hoje será tão especial como aquela tarde de chuva. E a paisagem sempre me oferecerá cores bonitas.
                Cores bonitas e movimento. Movimento para ir adiante e crescer, quando algo vale a pena tudo se transforma. O mundo dentro e fora daquilo que sinto e me interesso. E o resultado começa ali, naquele passo e nesse envolvimento.
                Quando algo vale a pena, eu me movimento e tento uma, duas, quantas vezes forem necessárias. Para mostrar o quão especial e importante isto é para minha vida. E eu me transformo.
                Eu me transformo, não apenas para retribuir, mas para crescer. Porque só crescendo eu posso dar algo de volta. E dando algo de volta eu me sinto bem e, acima de tudo, passo a encontrar alegria e felicidade.

                Porque quando algo vale a pena eu já sei. Eu sei e percebi  que aquilo que me faz bem também pode fazer bem aos outros. E essa é a oportunidade que sempre esperei para fazer a diferença. Fazer a diferença por algo que vale a pena. 

Valt - A verdadeira história IV

Coachella Festival

                A banda chegou ao Festival de Coachella um pouco irritada com a produção do evento. Ninguém aceitava tocar antes do Oasis, uma banda como a Valt deveria encerrar o festival. Bobby bob informou aos rapazes que não tinha jeito, o contrato estava assinado e o dinheiro já havia entrado na conta de cada um. O mais irritado era Vitch, achava que esse tipo de situação diminuiria o mercado da banda nos Estados Unidos. Mas todos sabiam que ele , desde que ouviu um disco do Oasis, queria compor a sua própria “Champagne Supernova”.
                O show ocorreu muito bem. O Oasis receberia o recado da Valt, ou voltavam à sua grande forma ou o público se entediaria. A balada cruel “I still in line with you” contou com um coro de 20 mil vozes no refrão com Twick regendo a multidão, que cantava à capela na hora do bis. O set acústico em que Vitch tocou , à pedido de Irwin, “I want you” do Bob Dylan de surpresa na sequencia de “Dream, dream, dream” , foi seguro. Após tocarem no bis “The rubish way of life” , e Jones encerrar o show depois de um longo solo de bateria interagindo com o público, foram todos para o backstage. Foram todos encher a cara no backstage, com a ordem de Bobby bob de que jamais o episódio de Chicago se repita.
                O backstage era uma grande sala , com mesas com wisky , vodkas, cervejas. Modelos promovendo marcas de cigarro (modelos, cigarros e rockstars...), um telão passando algum jogo de basquete e som ambiente tocando alguma música. Escondido em algum canto um DJ comanda a festa. Esse era o espaço comum entre as bandas, e ninguém da Valt quis saber de ficar trancado em um camarim. Fora encontros esporádicos por Londres ,ou em algum prêmio de melhores do ano, é muito difícil de músicos se encontrarem.
                Jones e Vitch ficaram em algum canto com seus cigarros fedorentos e gargalhadas com o pessoal de uma banda de reggae nova, chamada G.A.R.E. , Twick estava mais reservado. A morena de Liverpool o acompanhou na viagem, e mais do que a vontade de fumar os cigarros das modelos (com as modelos), ele não queria saber de algum outro vocalista como Liam Gallagher saborear o seu caso. Irwin e Edward bebiam suas Heinekens em volta das modelos dos cigarros.
                Algum tempo depois , Cassy the Casty se apresenta a Vitch, como se ele precisasse de apresentações. O rapaz fazia parte da onda do momento, a banda country rock Woodpecker Horses, que estourava nas rádios naquele momento. Trocaram muitas ideias, inclusive a preferência por violões Crafter e guitarras da Jaguar. Diz a lenda que depois dessa conversa , Vitch passou a usar botas de cowboy em alguns shows. Noel Gallagher passou pela conversa, combinaram todos de um dia no futuro brincarem em algum projeto juntos, mas seguiu para suas Guinnes e seus Marlboros Light quando os dois foram para os cigarros fedorentos com Jones e o pessoal da G.A.R.E. Disse para seus colegas de instrumento que a Jamaica não é sua colônia da Inglaterra preferida.
                Bobby bob aproveitou para fechar a participação da banda em dois Late Show, com a banda se dividindo nas entrevistas: Irwin e Vitch no de Jay Leno , Jones e Twick no de David Letterman. Edward era o premiado da vez, escolheria em qual das duas iria, ou se não iria. A banda como um todo gostava desse ritmo de Edward, era o mais simpático de todos, honrando seu codinome “Edward Sometimes”.

                O que sobrou da noite foram inúmeras garrafas , de inúmeras cores e tamanhos espalhadas pelo chão e pelas mesas. Uma, ou duas calcinhas do logo da Marlboro jogadas pelos sofás do bakstage. Quatro ou cinco bêbados, provavelmente roadies , dormindo pelos cantos. Uma modelo também. Tocos e mais tocos de cigarro, pulseiras e papel picado pelo chão. 

Valt - a verdadeira história III

Pub em Liverpool. 5 horas da tarde. Encontro com Edward e Irwin, integrantes da Valt, que passa pela cidade para um final de semana em Anfield Road. Aresentando as canções dos seus dois primeiros álbuns. Enquanto gravam para o terceiro disco, fazem uma pausa para visitar a cidade , e tocar nas duas noites para um público estimado em 70 mil pessoas.

Q Magazine: Como vocês enxergam a cena musical atual¿

Irwin: Cada um na sua , preso a estilos. Mas mesmo nessa posição estabelecida a criatividade vem sendo bem explorada. Gostaria de ver como seria o encontro de certos estilos.
Edward:  Concordo com Irwin, mas ainda assim me divirto. Gosto de escutar o que vem se atualizando.

Q Magazine: O futuro do rock é se fudir à outros estilos¿
Edward: Provavelmente, gostaria de imaginar algo como U2 e Green day influenciando a mesma banda.
Irwin: é o caminho natural, mas não sei prever quais seriam os estilos que se encontrariam e seguiriram mais próximos.

Q Magazine: Como vocês definiriam o estilo da Valt, quais inlfuencias vocês definiriam como base¿
Irwin: Pink Floyd, é a minha principal influencia, mas ainda não sei se isso repercute no som da Valt. Nosso estilo é um crú de estúdio, se tu consegue entender.
Edward: Nosso som é comercial, não podemos ignorar isso. Acredito que as influencias acabem sendo aquilo que apresenta alguma formula de chamar a atenção. Beatles , Stones, mas também Nirvana e Pet Shop Boys.

Q Magazine: Falando em questões comerciais, vocês estão para lançar o terceiro álbum, e as vendas sempre são definidoras do que faz sucesso ou não. Voces acreditam no tal do desafio do terceiro álbum¿
Irwin: Isso tudo é superstição...
Edward (interrompendo Irwin): É que nem o Vitch disse uns ensaios atrás, se um gato preto passa na minha frente , porque eu que não posso dar azar pra ele¿ No fundo cada um acredita no que lhe cabe, estamos com boas canções.
Irwin: E também , como somos comerciais como tudo aliás, se pudermos usar isso como um bom Marketing para as vendas do álbum, Bobby bob já deve ter pensado nisso. Enquanto o oásis fala mal de todo mundo e o Eddie Vedder  fala da saudade do Kurt, o deboche é a nossa identidade.

Q Magazine: Podem falar algo das novas canções¿
Edward ri e toma um longo gole de cerveja para disfarçar, Irwin abre um sorrico irônico e diz:
- É parte do nosso marketing não falar agora das novas canções.

Q Magazine: O que esperam dos shows em Anfield Road¿
Edward: Que tenha a mesma atmosfera dos jogos de futebol. Nunca estaremos sozinhos!!!
Irwin: Mesmo sendo Gunners , acho que é exatamente essa a expectativa da banda. Ainda mais com a Copa chegando.

Q Magazine: É verdade que todos na banda gostam de futebol , principalmente Vitch¿
Edward: é com ele mesmo que eu falo sobre futebol, descubro os resultados e tudo o mais,
Irwin: Sim, ele é o nosso roadie Matthews costumam se reunir para assistir jogos, e ninguém aguenta assistir com eles.

Q Magazine: Ganharemos a Copa¿
A gargalhada geral no Pub, inclusive do atendente no balcão responde a pergunta.

Q Magazine: Como são as relações na banda¿ Obviamente que entre tantas pessoas, alguns são mais próximos do que outros...
Iriwin: Todos nos damos muito bem, afinal viemos quase do mesmo buraco de Middlesbrough. Mas o meu melhor amigo é o gato James Catfield. Que me acompanha nas turnês.
Edward: A rapaziada é gente boa, gosto de todos.

Irwin pede mais um café , Edward acende um cigarro. É a senha para o final da entrevista.


Julia Lindford, é free lancer e encontrou com os integrantes da Valt em um Pub de Liverrpool, Irwin tomou cinco jarras de Guinness com Edward. Os rapazes vestiam casacos de couro praticamente iguais, mas Irwin usava uma camiseta do Megadeth e corrente prata. Edward estava de boné e uma camisa laranja berrante. Os dois usavam tênis da adidas.